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segunda-feira, 23 de março de 2015

OMS classifica cinco pesticidas como cancerígenos prováveis, entre eles o glifosato

Na lista da OMS como provável cancerígena está o Glifosato, componente do Roundup. O mesmo que o doutor Edilson Paiva, ex-presidente da CTNBio, disse que poderia até beber de tão inofensivo que era. Mantendo a tradição do órgão, seu atual presidente também defende as vantagens do herbicida.
IstoÉ, 20/03/2015
Cinco pesticidas foram classificados como cancerígenos “prováveis” ou “possíveis” para o homem pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).
glifosato, presente especialmente no Roundup, um dos herbicidas mais utilizados no mundo, e os inseticidas malation e diazinon foram classificados como cancerígenos “prováveis para o homem”, ainda que as “provas sejam limitadas”, segundo a Iarc.
Os inseticidas tetraclorvinfos e paration, que já foram alvo de interdições e restrições em vários países, foram por sua vez classificados como “possíveis” cancerígenos.
Porém, a classificação da Iarc não tem caráter restritivo para os países.
“Cabe aos governos e outras organizações internacionais recomendar regulamentos, legislação ou intervenções de saúde pública”, observou a Iarc em comunicado.
O glifosato é o herbicida com maior volume de produção no mundo.
As vendas dispararam desde a introdução de culturas geneticamente modificadas para resistir ao glifosato, o que permite aos agricultores matarem ervas daninhas ao mesmo tempo em que pulverizam um campo.
Além da agricultura, onde a utilização tem aumentado bastante, o glifosato também é usado nas florestas e por indivíduos em seus jardins.
O glifosato foi encontrado no ar, na água e nos alimentos, de acordo com a Iarc, que afirma que a população em geral está particularmente exposta quando habita próximo a áreas tratadas. Os níveis de exposição observados, no entanto, são “geralmente baixos”, segundo a Iarc.
Em termos de risco cancerígeno do glifosato e dos inseticidas malation e diazinon, a Iarc observa que há “evidência limitada” em seres humanos sobre o aparecimento de linfomas não-Hodgkin, ou câncer do sangue.
A Iarc também relaciona o câncer de próstata ao malation, que continua sendo usado de forma importante pelos agricultores, e o câncer de pulmão ao diazinon, cuja utilização, limitada, está em queda desde as restrições impostas em 2006 pelos Estados Unidos e a Europa.
Os riscos foram avaliados com base em estudos de exposição agrícola realizados especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, bem como em animais em laboratórios.
O grupo Monsanto, que fabrica o Roundup, manifestou seu desacordo com as conclusões do Iarc, observando que elas não se baseiam em novas pesquisas ou novos dados científicos.
A associação francesa de proteção ambiental Gerações Futuras comemorou a classificação da Iarc, já que “reconhece o perigo trazido pelo glifosato”.
A organização lembra ter iniciado um processo em 2010 contra vários herbicidas à base de glifosato, tendo como base preocupações sanitárias.

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