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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ALÉM DE DESERTIFICAÇÃO, SÃO PAULO TEM ÁGUA DE SUBSOLO CONTAMINADA

São Paulo e parte dos Estados do Sul e Sudeste do país podem entrar tanto num ciclo de desertificação como de extermínio de suas reservas hídricas existentes no subsolo. A influência das queimadas e do desmatamento amazônico no ciclo das chuvas nas porções mais ao sul do país alarma tanto os cientistas tanto quanto aos níveis de contaminação das águas potáveis existentes.

Com o volume de águas de superfície em diminuição considerável, as reservas subterrâneas estão em boa parte comprometidas. Seja por contaminação por esgoto, pesticidas ou mesmo pela falta de potabilidade. Há estudos sobre o uso a exaustão desses recursos em regiões onde o aquífero tem uma distribuição demasiadamente irregular. Desde 1998, pesquisadores da USP e outras entidades alertam para a exploração demasiada e sem critérios das águas subterrâneas, principalmente na agricultura.

A indústria paulista criou um plano estratégico para a crise da água, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) começou a consultar as empresas para saber quais suas soluções para o desabastecimento ou racionamento. A pesquisa mostrou que 55% das industriais não tem fontes alternativas de água.

Nas pequenas empresas o quadro se agrava,pois  cerca de 70% dependem diretamente da concessionária para o abastecimento.  As grandes indústrias são mais preparadas e 23% delas não têm fontes secundárias para captação de água. A FIESP informou que há perdas de postos de trabalho por causa da seca, somente num levantamento feito em maio deste ano foram registrados 3 mil desempregos diretos pela seca. Agora o problema deve ter se agravado.

"A escassez de água está levando à redução da produtividade. Não há números oficiais, as empresas são cautelosas na divulgação de informações, mas o problema já chegou até nós. Existem empresas que já eliminaram um turno de produção, há vários exemplos negativos para o desenvolvimento produtivo da região ", afirma o diretor de meio ambiente da entidade, Eduardo San Martin.

No trecho paulista, o Aquífero Guarani é explorado por mais de 1000 poços e isso ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste.  Já a área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km², onde se encontram a maior parte dos poços e grande parte dos problemas de contaminação.

Há 13 anos um grupo de cientistas do Centro de Pesquisas de Água Subterrânea (CEPAS) do Instituto de Geociências da USP pesquisa quanto a presença de Nitrato nas águas subterrâneas. Os estudos mostram uma crescente contaminação por esgoto urbano em diversas cidades paulistas. Esse elemento químico surge em processos de decomposição bacteriológica de matéria orgânica presente nos dejetos.

 “Em locais onde não há saneamento, a contaminação ocorre pelas fossas sépticas e negras, já nas áreas com redes de esgoto o problema são os vazamentos. As redes são antigas e não passam por manutenção periódica. A presença do nitrato em áreas urbanas com rede de esgoto não era esperada de forma tão intensa”, afirma o professor da USP Ricardo Hirata.

O nitrato é cancerígeno e pode desenvolver diversas doenças, principalmente síndromes em crianças. São Paulo tem uma grande dependência da água subterrânea. Segundo a pesquisa da USP, cerca de 75% das cidades paulistas têm o abastecimento público total ou parcial feito por águas de aquíferos.

“No Estado de São Paulo, quase 60% dos poços tubulares são ilegais, ou seja, não têm controle por parte do estado, com possibilidades de terem problemas de qualidade de suas águas. Isso significa que a população pode estar ingerindo água degradada por nitrato ou outros contaminantes e não saber”, alerta o professor da USP.

Além do problema da recarga, dificultado pela falta de chuvas, descontaminar a água com nitrato é algo caro e algumas situações inviável. Para agravar o quadro, há uma redução drástica da água de subsolo em diversas regiões. A supressão das matas ciliares que recobrem as bacias tem forte impacto sobre a qualidade da água, encarecendo em cerca de 100 vezes o seu tratamento.

O alerta para as péssimas condições das águas, tanto de superfície como de subsolo, foi feito também pelo pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE). Segundo ele, em áreas com floresta contígua a cursos d'água que estão protegida, com algumas gotas de cloro por litro se tem água para consumo humano.

“ Já em locais com vegetação degradada é preciso usar coagulantes, corretores de pH, flúor, oxidantes, desinfetantes, algicidas e substâncias para remover o gosto e o odor. Todo o serviço de filtragem prestado pela floresta precisa ser substituído por um sistema artificial e o custo passa de R$ 2 a R$ 3 a cada mil metros cúbicos para R$ 200 a R$ 300. Essa conta precisa ser relacionada com os custos do desmatamento”, afirmou.

Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada existe uma quantidade maior de água, por processos naturais, essa retorna para a atmosfera e favorece a precipitação. O escoamento da água das chuvas é mais lento, favorecendo a recarga e minimiza a erosão. Os A vegetação funciona como um filtro natural e ajuda a infiltrar a água no solo.

“Em solos desnudos, o processo de drenagem da água da chuva ocorre de forma muito mais rápida e há uma perda considerável da superfície do solo, que tem como destino os corpos d’água. Essa matéria orgânica em suspensão altera completamente as características químicas da água, tanto a de superfície como a subterrânea”, explicou Tundisi.

A questão principal para os cientistas é se o aquifero não está comprometido em outras regiões, como o sul e centro-oeste do país, além de parte do norte, onde há intensa atividade agropecuária e cidades sem saneamento básico. A situação nestas regiões podem estar pontualmente pior que as constatadas em São Paulo. O aquífero abrange também o Paraguai, Uruguai e Argentina.

Nota DefesaNet

A presente crise de abastecimento de de água no Sudeste tem implicações além do espectro político-eleitoral.

O próprio Governo Federal, nas administrações Lula-Dilma, reconheceu a importância da água como elemento estratégico tanto na Estratégia Nacional de Defesa como noLivro Branco (ver Box).

 
Nota DefesNet

Box publicado na matéria:

CRISE DA ÁGUA - SECA AMEAÇA 40 MILHÕES DE PESSOAS LINK

O Livro Branco da Defesa Nacional (2012) faz referências importantes às reservas de água doce:

pág 15 CAPÍTULO 1 — O ESTADO BRASILEIRO E A DEFESA NACIONAL

"É grande produtor de energia renovável e não renovável, de proteína animal e vegetal. Possui extensas reservas de água potável, enorme biodiversidade e vastos recursos minerais. As recentes descobertas do pré-sal levaram o País a um novo patamar de reservas e produção de petróleo e gás natural"

pág 19 LIVRO BRANCO DE DEFESA NACIONAL — CAPÍTULO 1 — O ESTADO BRASILEIRO E A DEFESA NACIONAL

"A Amazônia representa um dos focos de maior interesse da defesa. A Pan-Amazônia, equivalente à totalidade da Amazônia na América do Sul, tem, em números aproximados, 40% da área continental sul-americana e detém 20% da disponibilidade mun­dial de água doce"

Box - Aquíferos Guarani e Alter do Chão (Amazônico)

O Aquífero Guarani está entre as maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo e estende-se, em cerca de 70% de sua totalidade, pelo território brasileiro (840 mil km2). Com um reservatório de água subterrâ­nea de capacidade estimada em 45 mil km3, representa uma fonte impor­tante de abastecimento da população e de desenvolvimento de atividades econômicas. O Aquífero Alter do Chão, localizado sob a maior bacia hidro­gráfica do mundo (rio Amazonas), se estende sob solo brasileiro, com um volume potencial estimado em 86 mil km3.

Resta a pergunta: o que tem feito o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)? AEB ? Agência Nacional das Aguas (ANA)?

Falamos de um universo, na Grande São Paulo expandida, de 32 milhões de pessoas. E talvez 50 % do PIB nacional.
Defesa Net

http://noticia-final.blogspot.com.br/2014/09/alem-de-desertificacao-sao-paulo-tem.html

EUA prevêem que ebola atinja 1,4 milhão até janeiro

As previsões sobre a epidemia do ebola na África não param de piorar. Nesta terça-feira (23), os Estados Unidos e a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgaram prognósticos pessimistas sobre a doença, caso não haja reforço no controle do ebola. 

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, entidade de saúde pública do governo norte-americano, o número de contaminados pelo vírus do ebola poderá atingir 1,4 milhão de pessoas até o início de 2015. A informação foi divulgada horas depois da publicação de estudo da OMS, que prevê 20 mil pessoas contaminadas pelo vírus ebola até novembro, caso o combate contra a epidemia que já matou mais de 2.800 pessoas no oeste africano não seja reforçada. 

A informação foi divulgada nesta terça-feira (23), na publicação do New England Journal of Medicin. 

"Se não ocorrer uma mudança nas medidas de controle da epidemia", até novembro serão contados 9.939 casos na Libéria, 5.925 casos na Guiné e 5.063 casos na Serra Leoa, dizem os especialistas. (ANSA)

Via: UOL
http://www.libertar.in/2014/09/eua-preveem-que-ebola-atinja-14-milhao.html

Acorda confuso? Saiba o que é a embriaguez do sono

Se você já acordou de um sono profundo num estado confuso e não se lembra da experiência mais tarde, você pode ter uma condição conhecida como embriaguez do sono.
De acordo com um novo estudo, 1 em cada 7 pessoas podem ter essa desordem, propriamente conhecida como excitação confusional.
Tal desordem pode levar a um comportamento confuso ou inadequado - como atender o telefone quando o alarme dispara - ou até mesmo a situações de violência.
Os episódios geralmente acontecem quando uma pessoa é acordado de repente, e às vezes as pessoas não têm memória desses incidentes, afirma o Dr. Maurice Ohayon, psiquiatra do sono na Universidade de Stanford e co-autor do estudo detalhou a 25 de agosto na revista Neurology.
"É como se eles estivessem totalmente bêbados - eles não sabem onde estão ou o que estão a fazer", disse Ohayon. O despertar confusional é distinto do terror noturno e do sonambulismo. Vê-se frequentemente em crianças, mas não tem sido bem estudado em adultos.
No estudo, os pesquisadores entrevistaram uma amostra aleatória de mais de 19.000 adultos norte-americanos sobre os seus hábitos de sono e história de despertar confusional, assim como qualquer doença mental e quaisquer medicamentos que estivessem a tomar.
Cerca de 15% dos entrevistados disseram ter experimentado pelo menos um ataque de "embriaguez do sono" no ano anterior, mais de metade dos quais disseram que sofreram pelo menos um episódio por semana.
Um pouco menos de 10% das pessoas que tiveram um episódio não conseguiam lembrar-se de parte ou de toda a experiência, e 15% também tinha episódios de sonambulismo. O despertar confusional é diferente do sono normal que a maioria das pessoas sentem quando acordam.
A maioria das pessoas com sonolência geralmente lembra-se da sua experiência, mas as pessoas com embriaguez do sono não são conscientes das suas ações, e a tentativa de acordá-las totalmente costuma falhar. A sonolência incomum tem muitas causas diferentes, dependendo do indivíduo.
Os pesquisadores descobriram que, entre aqueles que tinha tido um episódio de embriaguez do sono, 70% também tinha um distúrbio do sono, e 37% tinha uma doença mental. Apenas 31% estavam sob medicação para esses transtornos, sendo principalmente antidepressivos.
Pessoas que sofrem de depressão, transtorno bipolar, alcoolismo, pânico ou transtorno de stress pós-traumático e ansiedade parecem mais suscetíveis à doença, assim como aqueles com apnéia do sono, um distúrbio no qual uma pessoa pára de respirar durante o sono.
O despertar confusional pode também resultar de má qualidade do sono ou sono em excesso. No estudo, cerca de 20% das pessoas que relataram ter menos de 6 horas de sono por noite relataram ter um episódio, e 15% daqueles que dormiam pelo menos 9 horas disseram o mesmo.
A prevalência de embriaguez do sono pode ser motivo de preocupação. O distúrbio pode ter grandes consequências se isso afetar as pessoas com responsabilidade pela segurança de outros, tais como pilotos ou médicos, afirmam os pesquisadores. 


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